
Neste sábado (29), foi realizada a aula inaugural do Projeto Valdemir Rodrigues – Qualificar para Transformar, uma iniciativa voltada para a formação, debate e reflexão sobre os direitos dos quilombos e quilombolas no Brasil. O evento aconteceu no Centro Cultural Anexo da Escola Municipal de Primeiro Grau de Tijuaçu, reunindo autoridades, educadores e quilombolas das comunidades de Cariacá e Tijuaçu, no município de Senhor do Bonfim.
Com o objetivo de promover o desenvolvimento de competências relacionadas aos direitos quilombolas, o projeto busca ampliar as oportunidades de acesso dos participantes aos direitos constitucionais, programas e políticas públicas. A iniciativa é executada pela Associação Quilombola de Cariacá e Adjacências (AQCA), fundada em 2007, que atua na representação dos remanescentes quilombolas e na preservação da identidade cultural das comunidades negras rurais da região.
A abertura do projeto contou com a presença do coordenador geral do projeto, Valmir Quilombola, e da Drª Maria Alice Pereira da Silva, guardiã da Pedra de Xangô e coordenadora pedagógica da AQCA. Maria Alice, que também é advogada, mestra e doutora em Arquitetura e Urbanismo, deu início ao primeiro módulo do curso, intitulado “Módulo Sociocultural – A Governança Espiritual Afro-Brasileira nos Territórios dos Povos e Comunidades Tradicionais”. O módulo será ministrado hoje e amanhã (30), promovendo reflexões sobre a espiritualidade como base da governança quilombola e sua importância na organização das comunidades tradicionais.
Durante sua fala, Drª Maria Alice destacou a importância de programas como esse para incentivar e despertar a consciência de pertencimento nas comunidades quilombolas. Segundo ela, fortalecer essa identidade é essencial para garantir direitos e promover o desenvolvimento local. “Esses programas são fundamentais para despertar a consciência de pertencimento dessas comunidades. A regional, a poligonal, está de parabéns por incentivar o desenvolvimento quilombola e valorizar nossa história.”
Ela também ressaltou a relevância da ancestralidade como força motriz para o fortalecimento comunitário e econômico. “A ancestralidade é o que nos move, é o que gera emprego e nos dá fortalecimento. Trabalhar essa questão é um grande incentivo para que as comunidades quilombolas tenham mais autonomia e reconhecimento,” pontuou.
O público-alvo do projeto é formado por 80 quilombolas das comunidades de Cariacá e Tijuaçu, todos com ensino fundamental completo e vivendo em situação de vulnerabilidade social, ou que buscam atualizar seus conhecimentos sobre seus direitos e cultura.
A programação do Projeto Valdemir Rodrigues se estenderá até julho, contemplando quatro módulos temáticos, cada um abordando uma área essencial para o fortalecimento das comunidades quilombolas. Em maio, nos dias 10/11 e 24/25, será realizado o Módulo de Educação e Educação Escolar Quilombola, ministrado pela Drª Paula Odilon dos Santos, que discutirá os desafios e perspectivas da educação quilombola no Brasil.
No mês de junho, nos dias 07/08 e 14/15, será a vez do Módulo de Saúde da População Quilombola, conduzido pela Profa. Me. Eliana do Sacramento de Almeida, abordando questões de saúde específicas dessas comunidades e políticas públicas voltadas para esse público. Encerrando a programação, em julho, nos dias 12/13 e 26/27, o Módulo de Direitos Constitucionais Quilombolas será ministrado pelo Prof. Dr. Samuel Vida, promovendo um debate sobre os direitos garantidos pela Constituição às comunidades quilombolas e os desafios para sua efetivação.
O Projeto Valdemir Rodrigues conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura de Senhor do Bonfim, reforçando o compromisso com a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades quilombolas.