Em entrevista exclusiva ao Jornal da Record nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, falou sobre a crise no STF. Ao ser questionado sobre a abertura de investigação envolvendo ministros da Suprema Corte em processos relacionados ao caso Banco Master, Lula apontou o momento como “determinante” para a história do Brasil: “O Fachin tem a faca e o queijo para saber quem fez o quê. É preciso investigar todos, sem distinção”, frisou.
Lula lembrou ser o responsável pela primeira reforma no Judiciário e defendeu a discussão sobre tempo de mandato e critérios de escolha dos integrantes da Corte. Lula enfatizou ainda que os ministros não devem aspirar a “ficar ricos” ao assumirem o cargo: “Na Suprema Corte, ninguém pode ficar sob suspeita”.
O presidente comentou ainda sobre o endividamento das famílias brasileiras. São quase 80% das famílias nessa situação, além de metade da população adulta com algum tipo de dívida. “Durante a crise financeira de 2008, houve um apelo para que a população não temesse o endividamento, desde que fosse responsável com suas finanças. O problema não é ter dívidas, mas a incapacidade de pagá-las. Dos brasileiros atualmente endividados, cerca de 29% enfrentam dificuldades sérias. Para mitigar esses desafios, é necessário promover crescimento econômico sustentável e uma distribuição equitativa de renda. A criação de empregos qualificados e o controle da inflação são prioridades essenciais para a estabilidade econômica das famílias brasileiras”, disse o candidato.
Também foram mencionados os esforços para estabilizar os preços de bens básicos e combater a fome. Segundo Lula, resultado dos cortes orçamentários herdados do governo anterior em áreas críticas como saúde e educação.
o candidato à reeleição anunciou um plano conjunto entre o governo federal, estadual e municipal para enfrentar o crime organizado no Rio de Janeiro. A iniciativa será lançada na sexta-feira (18) e visa libertar as comunidades periféricas do domínio dos traficantes. Embora a responsabilidade primária pela segurança seja dos estados, o candidato destacou a necessidade de uma atuação mais definida da União.
Durante seu discurso, ele mencionou que enviou ao Congresso Nacional uma proposta de emenda constitucional (PEC) para clarificar os papéis das diferentes esferas governamentais na segurança pública. O objetivo é estabelecer um Ministério da Segurança Pública assim que a PEC for aprovada.