Milhares de pessoas deslocadas por um potente terremoto no leste da Indonésia aguardavam a chegada de ajuda nesta segunda-feira (17). Elas permanecem acampadas diante de escolas, delegacias de polícia e prédios públicos. O terremoto de 7,7 graus de magnitude matou 68 pessoas e feriu mais de 100, segundo o balanço atualizado.
Organismos de resgate informaram que não há relatos de desaparecidos. O número de pessoas que não podem retornar para suas casas subiu nesta segunda-feira para 12.800 em várias localidades da ilha de Flores, informou à AFP Berton Suar Pelita Panjaitan, porta-voz da agência nacional de desastres da Indonésia, a BNPB.
Muitos habitantes de Flores dormiram nas ruas pela segunda noite consecutiva, com medo de voltar para casa, diante das centenas de tremores secundários. “Nossas casas já não são habitáveis porque muitas desabaram, estão rachadas e não podemos entrar”, comentou Junaidin, um morador de Mbay de 32 anos, diante de uma barraca improvisada onde dormiam quase 30 pessoas.
A localidade de Mbay fica perto do epicentro do terremoto. “Estamos aqui por conta própria”, acrescentou Junaidin, que, como muitos indonésios, tem apenas um nome.
Ele expressou frustração com a aparente demora na chegada de ajuda, enquanto o País celebra nesta segunda-feira o Dia da Independência com uma grande cerimônia na Capital, Jacarta. “No que diz respeito à ajuda do governo, não recebemos nenhuma: nem barracas, nem remédios, nem comida, nem água potável, nada”, disse Junaidin.
Cabras passam por uma rachadura na estrada em Marapokot, na Indonésia. | Foto: JUNI KRISWANTO / AFP
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A Força Aérea do País anunciou que transportaria 13 toneladas de ajuda emergencial em aviões e que mobilizaria helicópteros para transportar os suprimentos aos sobreviventes em comunidades isoladas, segundo a agência estatal de notícias Antara.
Para os afetados, a chegada da ajuda é urgente. “Fugimos sem nada, apenas com a roupa do corpo. Somos vítimas, estamos vivendo uma catástrofe”, contou Siti Sauda Daso, uma mulher de 31 anos que tem três filhos. “Disseram que nos dariam algo, mas não há provas. Honestamente, estamos um pouco irritados, decepcionados”, completou.
As equipes de resgate continuam na região para procurar possíveis vítimas, informou à AFP Fathur Rahman, coordenador dos serviços de busca. Pelo menos 914 residências da ilha sofreram danos graves e centenas registraram danos de menor gravidade, afirmou Berton, porta-voz da agência de gestão de desastres.
A Indonésia está localizada no “Cinturão de Fogo” do Pacífico, uma zona de intensa atividade sísmica que engloba o Japão, o sudeste asiático e prossegue até a costa das Américas. Entre as piores catástrofes da história do País está o devastador terremoto de 9,1 graus de magnitude na costa de Sumatra em 2004, que provocou um tsunami e causou 220.000 mortes em vários países, incluindo 170.000 na Indonésia.