mpresas de crédito consignado receberam ao menos R$ 110 milhões em repasses ilegais oriundos de um esquema fraudulento que atingiu milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações são resultado de investigações divulgadas pelo portal Metrópoles.
A fraude consistia em filiações indevidas a associações, o que gerava descontos automáticos e não autorizados nos benefícios dos segurados. Parte dos valores retidos era direcionada às instituições financeiras que ofereciam empréstimos consignados, como uma espécie de “comissão”. Estima-se que, só nesse contexto, as empresas tenham sido beneficiadas com pelo menos R$ 100 milhões.
Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) revelam que os descontos por mensalidades associativas aumentaram significativamente entre 2023 e 2024, triplicando em comparação aos anos anteriores. Um dado chama a atenção: 482 mil filiações foram feitas pouco antes da contratação dos empréstimos, o que levantou suspeitas de fraudes em série.
Batizada de Operação Sem Desconto, a investigação revelou a existência de planilhas, quebras de sigilo bancário e indícios de uma engrenagem bilionária envolvendo servidores, associações e empresas privadas. O escândalo levou à exoneração do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e também do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Segundo o INSS, cerca de 9 milhões de beneficiários foram atingidos por descontos ilegais em seus pagamentos mensais — um dos maiores golpes já registrados contra o sistema previdenciário brasileiro.