Conscientizar a população feminina sobre a importância da vacinação HPV e da realização das consultas ginecológicas e dos exames periódicos de rastreamento são alguns dos objetivos da campanha realizada em setembro, mês dedicado à conscientização sobre os canceres ginecológicos que acometem cerca de 37 mil mulheres brasileiras a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). “A campanha busca sensibilizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres que acometem o aparelho reprodutor feminino, como o câncer de colo de útero, o terceiro tipo de tumor mais frequente dentre as brasileiras embora seja um dos mais evitáveis”, destaca o oncologista *Daniel Brito*, da Oncoclínicas.
Além das consultas e exames periódicos e da imunização contra o HPV, disponível na rede pública para meninas e meninos de 9 a 14 anos, a adoção de um estilo de vida saudável também é um fator de proteção contra o câncer. “Ter uma alimentação equilibrada, evitar consumo de alimentos ultraprocessados, praticar atividade física regularmente, manter-se no peso adequado, não fumar e evitar consumo excessivo de álcool também são hábitos que reduzem o risco de desenvolver câncer”, explica a oncologista *Daniela Barros*, da Oncoclínicas.
A oncologista *Camila Chiodi*, da Oncoclínicas, ressalta a importância da atenção aos sinais e sintomas. “Ao notar qualquer alteração persistente, como, por exemplo, alteração do fluxo menstrual, corrimento escuro ou com forte odor e dor durante relação sexual, a mulher deve buscar logo seu médico para avaliação”, afirma. A especialista lembra que o diagnóstico precoce pode significar um tratamento bem menos invasivo e, principalmente, maiores chances de cura.
A infecção persistente por determinados tipos de HPV (Papilomavírus humano) é o principais fator de risco para o câncer de colo de útero. “O HPV-16 e o HPV-18, considerados de alto risco oncogênico, são responsáveis por mais de 90% dos casos de câncer de colo de útero”, afirma a oncologista *Hamanda Nery*, da Oncoclínicas.
Os cânceres ginecológicos afetam órgãos do sistema reprodutor feminino, como útero, ovários, vulva e vagina. O câncer de colo de útero, ou câncer cervical, é o mais comum, dentre eles, com previsão de 19310 mil novos casos por ano no Brasil e representa o terceiro tipo de tumor que mais afeta as mulheres brasileiras (atrás do câncer de mama e do colorretal), segundo o INCA. Na Bahia, a estimativa é de 1370 novos casos em 2026, de acordo com o Instituto.
*Os especialistas chamam atenção para sintomas que não devem ser subestimados*:
Alteração do fluxo menstrual
Corrimento com sangue escuro e/ou forte odor
Aumento de gases ou indigestão
Dor durante relação sexual
Perda de peso sem causa aparente
Inchaço abdominal
Dor pélvica
Sensação de pressão no abdômen ou pelve
Fadiga persistente
*Fatores de risco e estilo de vida*
Idade avançada, histórico familiar da doença, infecção por HPV, tabagismo, obesidade, menarca precoce (antes dos 12 anos) ou menopausa após os 52 anos e uso prolongado de contraceptivos orais são alguns dos fatores que podem aumentar o risco para desenvolvimento de um câncer ginecológico. Não ter tido filhos, multiplicidade de parceiros sexuais e reposição hormonal feita de forma inadequada também são fatores de risco.