Bill Gates afirmou que o avanço da inteligência artificial exige maior atenção dos governos diante da possibilidade de a tecnologia ser empregada em ataques em larga escala. O cofundador da Microsoft considera que sistemas cada vez mais poderosos podem ampliar a capacidade de grupos ou indivíduos mal-intencionados de provocar danos.
Ao tratar dos cenários mais extremos, Gates foi direto sobre a dimensão que esse risco poderia alcançar. “A IA é certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes”, afirmou em entrevista concedida à uma rede de TV americana. Ele acrescentou que nunca houve uma ferramenta com potencial comparável quando combinada à atuação de pessoas dispostas a utilizá-la para fins destrutivos.
A preocupação não está restrita a hipóteses futuras, uma vez que casos recentes mostraram tentativas de uso de modelos de inteligência artificial em ataques digitais e aplicações militares. Um sistema da OpenAI teria sido empregado em uma invasão ao site de um serviço público de saúde da Austrália.
A Anthropic, por sua vez, informou que militantes iemenitas suspeitos de ligação com os Houthis tentaram recorrer ao Claude para desenvolver software relacionado à orientação e à navegação de mísseis balísticos.
Segundo o Financial Times, Gates defende que o governo dos Estados Unidos estabeleça regras federais para acompanhar o desenvolvimento da inteligência artificial e reduzir os riscos associados ao uso da tecnologia. Na entrevista, ele afirmou que Washington precisa “absolutamente” aprovar uma legislação com salvaguardas e mecanismos de monitoramento.
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Gates critica dependência da autorregulação
Para o empresário, não é suficiente deixar a definição dos limites exclusivamente nas mãos das companhias responsáveis pelo desenvolvimento dos modelos. “Ninguém acha que a autorregulação é suficiente”, declarou Gates ao defender a participação do poder público nesse processo.
Ele reconhece que novas exigências podem aumentar os custos das empresas, mas argumenta que isso não precisaria interromper o avanço da tecnologia. Segundo Gates, as regras poderiam gerar “um certo custo operacional para o setor”, sem provocar uma desaceleração acentuada no desenvolvimentos dos sistemas.