A vereadora de Salvador, Marta Rodrigues (PT) afirmou nesta sexta-feira (13) que uma série de informações divulgadas nos últimos dias expôs uma relação considerada “no mínimo obscura” entre o Banco Master, a Prefeitura de Salvador e uma empresa de consultoria ligada ao ex-prefeito da capital baiana e pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil).
De acordo com a parlamentar, a revelação de que um decreto municipal abriu espaço para operações de empréstimo consignado do banco junto a servidores ainda durante a gestão de Neto se soma à notícia anterior sobre repasses milionários à empresa do ex-prefeito, ampliando a “estranheza dos fatos e as suspeitas”.
“De um lado, aparece a notícia de repasses milionários feitos por instituições financeiras para uma empresa ligada ao ex-prefeito. De outro, surge a informação de que a prefeitura, ainda sob sua gestão, editou um decreto que viabilizou operações de crédito consignado com esse mesmo banco. Quando esses fatos emergem juntos, levantam muitas suspeitas e precisam ser apurados com rigor”, declarou.
A petista ainda lembrou que primeiro vieram à tona os repasses milionários feitos por instituições financeiras, entre elas o Banco Master e a gestora Reag Investimentos, que somam cerca de R$ 3,7 milhões destinados à empresa A&M Consultoria, criada por ACM Neto após deixar o comando da capital baiana.
Em seguida, reportagens apontaram que um decreto da Prefeitura de Salvador, editado ainda durante a gestão do ex-prefeito, abriu espaço para a atuação do Banco Master em uma modalidade específica de empréstimo consignado voltada a servidores municipais.
“É uma relação que envolve o poder público municipal, um banco investigado que passou a operar dentro desse sistema e, posteriormente, transferências milionárias para uma empresa ligada ao ex-prefeito que governou Salvador por oito anos. Esses fatos criam um cenário de obscuridade que precisa ser esclarecido”, acrescentou.
Ao concluir, a edil ressaltou que, quando decisões administrativas, instituições financeiras e valores milionários aparecem interligados dentro de um mesmo contexto político, exige-se explicações claras. “A sociedade precisa compreender qual foi exatamente a natureza dessas relações e quais interesses estavam envolvidos”, finalizou.