Salvador — Há mais de dois meses, a greve dos professores da rede municipal de ensino de Salvador permanece sem previsão de fim, mantendo suspensas as aulas para cerca de 130 mil alunos. O movimento, iniciado em 6 de maio e ainda em andamento, já ultrapassa os 60 dias de paralisação. A categoria, representada pela APLB-Sindicato, reivindica: Pagamento integral do Piso Salarial Nacional do Magistério, atualmente em R$ 4.867,77, conforme estabelecido pelo Ministério da Educação.
Revogação da Lei Municipal nº 9.865/2025, que incorpora gratificações ao salário-base e viola a Lei Federal. Melhores condições de trabalho: infraestrutura escolar, jornada extraclasse, licenças e plano de carreira.
O sindicato denuncia que a prefeitura alegue cumprimento do piso, muitos profissionais ainda recebem abaixo do valor exigido — especialmente os 800 professores citados pela gestão municipal.
Ações da Prefeitura e Impasses
A Prefeitura, liderada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), apresentou reajustes entre 6,27% e 9,25%, computando gratificações fixas de 45% aos vencimentos, conforme interpretação de decisões do STF
Por outro lado, os professores veem essa manobra como “maquiagem salarial” que mascara o descumprimento da lei federal. Segundo a APLB, a Lei 9.865 influi negativamente na carreira docente, ao incluir benefícios como salário-base.
Reação das Instituições e da Justiça
Assembleias da categoria têm votado massivamente pela continuidade da greve — com apoio acima de 70%
Sindefaz-BA, representante dos servidores estaduais, manifestou apoio total ao movimento.
Ministério Público da Bahia é criticado por sua postura considerada “omissa”, por não intervir em defesa do direito à educação.
A Justiça baiana já julgou ilegais paralisações anteriores e aplicou multas diárias à categoria – embora isso não tenha levado à suspensão da greve
Impacto na Educação Pública.
Até o momento, cerca de 138 escolas estão totalmente paralisadas e outras 189 parcialmente, afetando mais de 131 mil alunos
A comunidade escolar manifesta preocupação com o avanço do ano letivo — porém, muitos pais apoiam a luta por melhores condições e interpretações justas das obrigações legais
reuters.com
Cenário Atual e Próximos Passos
A greve chega ao 62º dia sem avanço nas negociações. A próxima assembleia da APLB está agendada para esta semana, com definição prevista de ações futuras e resposta às condições propostas pela Prefeitura e possíveis mediações judiciais.
Especialistas apontam que o impasse somente será resolvido com:
Diálogo efetivo com transparência sobre cálculos salariais e gratificações;
Revisão ou revogação da Lei Municipal 9.865/2025, de modo a respeitar o piso nacional sem confundir gratificação com salário-base;
Garantia de condições de trabalho dignas e cumprimento da legislação federal sem manobras administrativas.
Enquanto isso, a comunidade educativa se mantém mobilizada e atenta aos desdobramentos, clamando por uma solução que una respeito ao direito dos professores e garantia de continuidade ao aprendizado de milhares de crianças e adolescentes.