Especialistas em mudanças climáticas se reuniram em Salvador, nesta terça-feira (2), para discutir os efeitos desse fenômeno global na Ilha de Maré. A capital baiana foi selecionada para participar de um estudo internacional sobre o tema e escolheu a ilha como o território para ser avaliado. O workshop institucional foi realizado na Escola de Saúde Pública, no Comércio.
Na prática, o objetivo dos pesquisadores é identificar problemas gerados na ilha por conta das mudanças climáticas e elaborar soluções. O avanço do mar sobre as casas (erosão costeira), por exemplo, tem preocupado os moradores da localidade, além das consequências das chuvas intensas. O estudo será concluído em novembro.
O projeto “Dos Dados de Risco à Ação Resiliente: Priorizando Investimentos Urbanos com Impacto” é uma iniciativa internacional conduzida pela Resilient Cities Network (R-Cities) e pela Arup, empresa de engenharia e consultoria especializada em resiliência urbana. O financiamento é da Lloyd’s Register Foundation (LRF).
O secretário municipal de Sustentabilidade e Resiliência, Ivan Euler, lembrou que Salvador já tem uma Estratégia de Resiliência e um Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas (PMAMC), o que deixa a capital baiana alguns passos à frente de outras cidades.
“Vamos pegar os diagnósticos e trazer para a prática. O workshop discutiu qual era o melhor território para fazer isso e escolheu a Ilha de Maré, que é mais desafiadora do que outros territórios, por conta do avanço do nível do mar, das chuvas, das comunidades quilombolas e da proximidade com o porto, entre outros pontos”, afirmou o secretário.
Durante o encontro, foram discutidos os principais riscos e vulnerabilidades identificados no território piloto e os desafios para adaptação climática em nível local. Também entraram em pauta as oportunidades para fortalecimento da atuação intersetorial, os caminhos para priorização de investimentos e ações de resiliência, além de contribuições para o processo de atualização do PMAMC.
Escolha – Além de Salvador, a cidade de Lagos, na Nigéria, também foi selecionada para participar do projeto. O representante da Resilient Cities, Javier Garduño, explicou os motivos da capital baiana ter sido escolhida.
“Primeiro, verificamos quais eram as cidades que estavam fazendo ações para proteger a população que enfrenta riscos climáticos. Nossa rede tem mais de 100 cidades e, na América Latina, sabemos que Salvador realmente está realizando ações muito ambiciosas em temas de mudanças climáticas, sustentabilidade e resiliência”, disse.
O workshop teve cinco mesas temáticas que trataram de saneamento, mobilidade e infraestrutura, meio ambiente, regularização fundiária, economia e turismo. Houve um balanço das questões e ações levantadas a partir das reuniões técnicas, análise de dados e da visita de campo realizada na Ilha de Maré, em dezembro de 2025.
A consultora sênior de mudança climática da Arup, Larissa Heinisch, listou alguns pontos. “A ideia é entender como os riscos e os impactos da mudança do clima estão sendo percebidos a nível local pela comunidade, no dia a dia, na economia, na saúde, no bem-estar; e como a gente consegue transformar isso em ações concretas a partir da economia criativa que já é desenvolvida nesses espaços”, afirmou.
A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), com participação da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Secretaria Municipal de Reparação (Semur), Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) e Escritório de Cooperação Internacional (ECI).
Outras pastas também têm contribuído com o projeto, como Inovação e Tecnologia (Semit), Saúde (SMS), Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e Fazenda (Sefaz), além da Secretaria do Mar (Semar).
Ambientaliza – O workshop integra a programação do Ambientaliza Salvador, que reunirá, ao longo de mais de 20 dias, na capital baiana, eventos relacionados à sustentabilidade, educação ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas.
A iniciativa, que celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, incluirá oficinas, plantios, workshops, feiras agroecológicas, ações educativas, cursos e lançamentos de editais em diferentes pontos da cidade.