O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto de 2026, o maior patamar da série histórica pelo sétimo mês consecutivo, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice ficou no mesmo nível registrado em julho e acima dos 78,8% de agosto de 2025. O indicador considera famílias que possuem dívidas a vencer, estejam elas em atraso ou não. Por isso, endividamento não é sinônimo de inadimplência nem significa, necessariamente, que a família esteja sem condições de pagar suas contas.
Já a inadimplência, que mede a parcela das famílias com dívidas em atraso, subiu de 29,8% em julho para 29,9% em agosto. A parcela de famílias que declarou não ter condições de pagar as dívidas em atraso também aumentou, de 12,3% para 12,5%, o maior nível desde fevereiro.
As famílias com renda de até três salários mínimos registraram o maior nível de endividamento entre as faixas pesquisadas, com 85,1% em agosto. O percentual de famílias com dívidas em atraso chegou a 38,8%, alta de 0,3 ponto percentual em relação a julho.
Na faixa de renda entre três e cinco salários mínimos, 83,7% das famílias estavam endividadas e 28% tinham dívidas em atraso. Entre aquelas com renda de cinco a dez salários mínimos, os índices foram de 77,2% e 20,3%, respectivamente.
Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, 72,3% estavam endividadas e 14,9% tinham dívidas em atraso.
O comprometimento do orçamento também aumentou. Em agosto, 19,2% das famílias afirmaram comprometer mais da metade da renda com dívidas, maior percentual desde março. Na média, o comprometimento da renda permaneceu em 29,5%.
O tempo médio de atraso das contas subiu para 65 dias, interrompendo uma sequência de três meses de queda. A parcela de famílias com dívidas assumidas por mais de um ano chegou a 33,4%.
Principais modalidades de dívida
Na edição de julho da Peic, último levantamento em que a CNC detalhou as modalidades de dívida nos dados utilizados nesta matéria, o cartão de crédito aparecia em 85,3% das famílias endividadas. Na sequência estavam carnês, com 16,1%; crédito pessoal, com 13%; financiamento de casa, com 9,6%; financiamento de carro, com 9%; crédito consignado, com 7,1%; e cheque especial, com 3,4%.