O Centro de Cultura da Câmara recebe, até o dia 22 de setembro, a exposição “OLÓRÍ — e a linhagem Asipá”. Com abertura oficial nesta sexta-feira (21), às 19h, a mostra tem entrada gratuita e conta com a curadoria de Camila Adebiyi. O evento reúne produções de artistas formados no Ilê Asipá, terreiro fundado em 1980 por Mestre Didi (Deoscóredes Maximiliano dos Santos). A iniciativa celebra a ancestralidade e a continuidade desse legado afro-brasileiro, destacando o terreiro como um polo ativo de preservação, memória e formação artística.
O título da exposição parte do significado de Olorí, aquele que está à frente, aquele que conduz. No contexto do Ilê Asipá, o termo se relaciona à responsabilidade de conduzir, zelar pela comunidade, preservar seus fundamentos e garantir a continuidade de uma tradição ancestral.
É a partir dessa perspectiva que a exposição apresenta uma geração de artistas que, mais do que herdeiros por descendência, são herdeiros por pertencimento, vivência e continuidade. São artistas que recebem uma herança cultural e espiritual e, a partir dela, constroem suas próprias linguagens.
Participam da exposição Andre Otun Laran, Antonio Oloxedê, Hans Herold Oluabi, Irá Adêlayo, José Adário, Jurandy Maxodi, Kleisson Otun Elegbogi, Marco Aurélio Elegbogi, Mateus Asipá, Peter Ojubalé, Valnei Laran e Wellington Labi.
As obras apresentam diferentes possibilidades de criação a partir de materiais e linguagens como palha, ferro, madeira, tecidos, fotografia, performance, programa vital e cintas. Em cada trabalho, tradição e contemporaneidade estabelecem diálogos, revelando como os saberes ancestrais podem permanecer vivos ao mesmo tempo em que encontram novas formas de expressão.
A exposição recebe também José Adário, conhecido como Zé Diabo, mestre ferreiro e artista cuja trajetória está profundamente ligada à tradição dos terreiros de Candomblé da Bahia. Sua participação amplia o diálogo proposto pela mostra e aproxima diferentes gerações e caminhos de uma mesma matriz cultural. Em sua obra, o ferro, matéria associada à força, à transformação e ao fazer, estabelece uma relação simbólica com a própria ideia de continuidade presente em OLÓRÍ.
No centro da exposição está a compreensão de que o legado de Mestre Didi não se encerra em sua produção artística ou em sua trajetória individual. Ele continua a existir nos corpos, nos saberes, nas práticas e nas criações daqueles que permanecem ligados ao território que ajudou a construir.
SERVIÇO
OLÓRÍ — Mestre Didi e a linhagem Asipá
Abertura: 21 de agosto, às 19h
Visitação: até 22 de setembro
Local: Centro Cultural Vereador Manuel Querino
Praça Thomé de Souza, Salvador – BA
Entrada: Gratuita