O anúncio do reajuste do Bolsa Família não provocou alteração na intenção de voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os eleitores que recebem o benefício ou vivem em domicílios atendidos pelo programa. É o que aponta a nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 21 de setembro. Segundo o levantamento, Lula manteve 64% das intenções de voto no primeiro turno entre esse grupo, exatamente o mesmo percentual registrado na pesquisa anterior, realizada antes do anúncio do reajuste.
A pesquisa atual foi realizada entre os dias 18 e 20 de setembro, portanto, depois de o governo federal anunciar, em 17 de setembro, a atualização dos valores do programa.
Reajuste de 15,04%
O governo federal anunciou uma recomposição de 15,04% nos valores do Bolsa Família. Com a atualização, o benefício mínimo por família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a correção considera a variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. Os novos valores serão incluídos na folha de outubro, com pagamentos a partir de 19 de outubro.
Resultado entre os beneficiários
Na pesquisa BTG/Nexus, além dos 64% registrados por Lula entre beneficiários ou moradores com beneficiários do Bolsa Família, Flávio Bolsonaro (PL) apareceu com 17% nesse segmento. Na rodada anterior, o senador tinha registrado 20%.
A variação, entretanto, deve ser analisada considerando a margem de erro e o tamanho específico dessa parcela da amostra. O levantamento, portanto, não permite estabelecer que o reajuste tenha provocado uma mudança no comportamento eleitoral dos beneficiários.
Entre os eleitores que não recebem o Bolsa Família e também não vivem com alguém que recebe o benefício, Lula registrou 36%, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 40%.
Pesquisa foi realizada antes do pagamento do novo valor
Um ponto importante na análise dos números é o período da pesquisa. Embora o anúncio do reajuste tenha ocorrido em 17 de setembro, as entrevistas foram realizadas entre 18 e 20 de setembro.
O pagamento do novo valor, porém, só começa em outubro. Dessa forma, o levantamento mede a reação eleitoral nos primeiros dias após o anúncio da medida, antes de os beneficiários receberem efetivamente o valor reajustado.
A pesquisa ouviu 2.006 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00485/2026.
Reajuste passa a valer em outubro
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, esta é a primeira atualização dos valores do Bolsa Família pela inflação desde a retomada do programa em 2023.
Além do aumento do piso de R$ 600 para R$ 691, outros componentes do benefício também foram corrigidos. O valor por integrante da família, por exemplo, passa de R$ 142 para R$ 164. O adicional destinado à primeira infância sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança.
Os dados da pesquisa mostram, portanto, que a preferência declarada por Lula entre os beneficiários permaneceu em 64% após o anúncio do reajuste, sem alteração percentual em relação à rodada anterior. Como as entrevistas ocorreram antes do início dos pagamentos, os números não medem eventual efeito posterior do recebimento do novo valor.