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Foto: Otávio Santos / Secom PMS

Curta produzido por alunos de escola municipal de Cajazeiras ganha destaque em festivais de cinema

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Um curta-metragem produzido por alunos da Escola Municipal Elysio Athayde, em Cajazeiras, ganhou espaço em festivais de cinema nacionais e internacionais e foi exibido, nesta quarta-feira (26), no Cine Clube CBX. Intitulado “Karma Estudantil”, o filme foi desenvolvido inteiramente no ambiente escolar por 17 estudantes da rede municipal de ensino, com direção de Luisa Costa e do professor de Artes Valmar Oliveira.

A produção surgiu a partir das atividades da disciplina de Artes e proporcionou aos estudantes o primeiro contato com diferentes etapas do processo cinematográfico, incluindo criação de roteiro, atuação, produção e gravação. A iniciativa também levou os alunos a conhecerem conteúdos sobre a história do cinema e produções clássicas do cinema mudo antes da realização do próprio filme.

A história acompanha uma estudante com problemas de comportamento no ambiente escolar, que passa a lidar com as consequências das próprias atitudes. A narrativa propõe reflexões sobre convivência, responsabilidade, escolhas e os impactos das ações no cotidiano escolar.

Segundo o professor Valmar Oliveira, a produção começou como uma atividade prática em sala de aula e foi realizada dentro da própria escola. Após a conclusão, o curta foi encaminhado para eventos e mostras voltados ao público infantil e estudantil em diferentes regiões do país.

O primeiro convite para exibição ocorreu no Cine Clube CBX, durante a programação “Agosto de Arrepiar”. O filme também foi selecionado para a 15ª edição do CURTA 5 – Festival Estudantil de Curtas, realizado no Instituto Federal da Bahia (Ifba), Campus Vitória da Conquista, e para a 4ª edição do EducAção – Festival Internacional de Cinema Educação e Preservação, em Curitiba.

No festival internacional, “Karma Estudantil” concorre com produções de diferentes regiões do Brasil e com obras do Canadá e da Argentina. “Eu sinto orgulho do curta, porque as meninas se esforçaram, decoraram falas, improvisaram outras, se preocuparam com continuidade e adereços e levaram tudo a sério”, destacou Valmar Oliveira sobre a repercussão da produção.

O professor também espera que a obra continue sendo selecionada para outros eventos. “Espero que o curta seja selecionado para mais eventos e que elas tenham o devido reconhecimento pelo talento e pelo trabalho que tiveram”, afirmou.

A produção executiva é assinada pela Cine Horror Produções, com apoio institucional da Escola Municipal Elysio Athayde.

Produção estudantil – Para Mateus Lima, produtor executivo do Cine Clube CBX, iniciativas como essa mostram aos estudantes que eles também podem ocupar o lugar de produtores culturais, e não apenas de espectadores.

“Mostrar esse formato de cultura, que é possível não só assistir, não só consumir, mas produzir, e com a idade deles, é maravilhoso. Isso termina expandindo o campo de visão cultural deles. Eles conseguem enxergar que podem produzir além de pinturas e música, que podem pegar um violão ou outro instrumento, mas também conseguem produzir cinema”, afirmou.

Segundo Lima, o contato com o audiovisual pode ampliar as perspectivas profissionais e culturais dos estudantes, especialmente daqueles que vivem em regiões periféricas e nem sempre têm acesso direto a equipamentos e atividades culturais.

“Mesmo que eles não sigam essa área como profissão, isso termina ampliando a bagagem cultural deles. A maioria é de bairros periféricos e não tem acesso direto à cultura”, explicou.

O produtor também destacou o potencial de Salvador e da Bahia para o desenvolvimento do setor audiovisual e ressaltou a importância de estimular o interesse pelo cinema desde a infância.

“Salvador e a Bahia podem ser um novo polo de cinema. É praticamente uma Hollywood brasileira, e é bem possível que, com essa idade e de acordo com a geração deles, eles cresçam como ótimos cineastas”, disse.

Experiência – Entre os estudantes que participaram da produção está Suedy Raquel, de 15 anos. Além de contribuir para as gravações, ela foi responsável pela maquiagem dos atores. A experiência marcou seu primeiro contato com uma produção cinematográfica. Apesar de ter gostado da experiência, Suedy pretende manter o audiovisual como um hobby.

Já Eloise Freitas, de 11 anos, interpretou o personagem do fantasma e esteve diante das câmeras pela primeira vez. A estudante contou que gostou da experiência, mas pretende seguir uma carreira diferente: a Medicina Veterinária.

Outra participante foi Elloah Araújo, também de 11 anos, que interpretou uma das protagonistas, uma aluna considerada inquieta dentro da narrativa.“Foi a minha primeira vez fazendo um filme e foi muito legal. Quando eu começo a fazer o filme, o coração fica fazendo ‘tuntuntun’, com medo de errar alguma coisa. Mas ele disse que eu não errei nada e que ficou muito bom”, contou.

Elloah afirmou que pretende continuar na área artística e seguir carreira como atriz. Entre as cenas que mais gostou de gravar, ela destacou uma sequência envolvendo um zumbi. “Eu gostei quando veio um zumbi em cima de mim. Foi muito legal. A sensação é que parece que é verdadeira, que tem um zumbi mesmo em cima de você”, relatou.

Representatividade – Para a professora Rita de Cássia Brito, o envolvimento dos estudantes em todas as etapas da produção demonstra o potencial da educação pública para incentivar a criatividade e revelar novos talentos. “Eles fizeram todo o trabalho de escrita, pesquisa e vestimentas. Eles se empenharam para fazer isso, e é muito importante porque a gente vê crianças que são da periferia de Salvador sendo classificadas para festivais de cinema internacional”, destacou.

A professora também ressaltou a participação dos estudantes em competições nacionais e internacionais.

“Eles estão classificados para festivais nacionais e internacionais, concorrendo com crianças do Canadá. Imagine a importância disso para a vida deles, para eles lembrarem disso sempre. É um orgulho estar em uma rede municipal com esses meninos fazendo uma produção dessa”, afirmou.

Cine Clube CBX – Com três anos de atuação, o Cine Clube CBX realiza sessões gratuitas mensalmente, geralmente nas últimas quartas-feiras de cada mês. As exibições começam a partir das 18h e são seguidas por uma roda de conversa com o público.

Além das sessões, o espaço mantém uma curadoria aberta para receber produções audiovisuais interessadas em participar da programação. Os interessados podem enviar trabalhos pelo e-mail [email protected] ou entrar em contato pelo telefone (71) 99232-8889.

O produtor também defende a importância de manter espaços de cinema acessíveis ao público. “Os cinemas de rua hoje em dia fecharam. A expectativa é que um dia esse Cine Clube não deixe de ser um Cine Clube e se torne realmente um cinema aqui na Cidade Baixa”, afirmou.

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