Um médico pode dominar diagnósticos, procedimentos e tratamentos, mas, ainda assim, perder dinheiro, acumular problemas tributários e comprometer o futuro do próprio consultório. O alerta é da consultora Catarina Lima, CEO da Referência Gestão de Saúde, que chama a atenção para um problema frequente no setor: profissionais altamente qualificados na assistência, mas sem preparo para administrar uma empresa.
Dados do Cadastro Central de Empresas, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em junho de 2026, mostram que o segmento de saúde humana e serviços sociais apresentou o maior crescimento entre todas as atividades econômicas de 2022 a 2024, com o acréscimo de aproximadamente 177,7 mil empresas e outras organizações.
Para Catarina Lima, o crescimento reforça a necessidade de profissionalizar a gestão. “A formação médica prepara o profissional para cuidar de vidas, mas não necessariamente para administrar fluxo de caixa, custos, contratos, tributos, equipes e estratégias de crescimento. O risco começa quando o médico acredita que ter pacientes e uma agenda cheia é suficiente para garantir a saúde do negócio”, afirma.
A informalidade nem sempre significa trabalhar sem CNPJ. Ela também aparece quando o médico mistura as contas pessoais com as da clínica, define preços sem conhecer os custos, faz acordos apenas verbalmente, contrata sem planejamento, não acompanha indicadores e toma decisões financeiras com base apenas no saldo bancário.
“Uma clínica pode estar cheia e, ainda assim, estar financeiramente doente. Sem controle, o profissional pode trabalhar cada vez mais, faturar mais e perceber que o dinheiro nunca sobra. Isso gera endividamento, desgaste da equipe, sobrecarga e decisões tomadas no improviso”, alerta Catarina.
Entre os primeiros passos para reduzir os riscos estão separar as finanças pessoais e empresariais, conhecer os custos reais de cada atendimento, formalizar contratos, organizar as obrigações tributárias, acompanhar receitas e despesas e estabelecer processos claros para a equipe.
Outro ponto fundamental, segundo a consultora, é reconhecer que o médico não precisa assumir sozinho todas as funções administrativas. A contratação de uma empresa especializada em gestão de negócios de saúde pode ajudar a estruturar processos, acompanhar indicadores, organizar as finanças e oferecer informações mais seguras para a tomada de decisões.
“Empreender não significa fazer tudo sozinho. O médico precisa concentrar energia naquilo que só ele pode fazer: cuidar dos pacientes. A gestão pode e deve ser conduzida com apoio especializado, de forma profissional, estratégica e responsável”, explica Catarina.
Para a especialista, profissionalizar a gestão não retira a essência humana da medicina. Pelo contrário: protege o consultório, a equipe, o patrimônio do médico e a continuidade do atendimento aos pacientes.