O esporte brasileiro e mundial perdeu nesta sexta-feira (17) uma das figuras mais emblemáticas de todos os tempos. Oscar Daniel Bezerra Schmidt, o eterno camisa 14, faleceu em São Paulo, aos 68 anos. O ex-atleta, que imortalizou o apelido de “Mão Santa” — embora insistisse que sua precisão vinha do suor e não do céu – não resistiu a uma parada cardíaca.
Nascido em Natal (RN) em 1958, Oscar era filho de militar e teve uma infância marcada por mudanças, passando por Brasília antes de se consolidar em São Paulo, aos 16 anos. Curiosamente, seu primeiro amor no esporte foi o futebol, mas sua estatura precoce (rapidamente chegou aos 2,05m de altura) e o incentivo de técnicos como Laurindo Miura o empurraram para o basquete aos 13 anos. O que começou como uma necessidade física tornou-se uma obsessão: Oscar era conhecido por permanecer horas após os treinos oficiais, arremessando exaustivamente até atingir a perfeição que o levaria ao topo do mundo.
O início de uma carreira histórica
Aos 16 anos, em 1974, na cidade de São Paulo, Oscar começou sua trajetória nas categorias de base do Palmeiras. E não demorou para se destacar: logo foi eleito melhor jogador sul-americano juvenil e ganhou uma chance na Seleção Brasileira principal. O grande desempenho na seleção fez com que Cláudio Mortari, técnico do Brasil, o levasse para jogar no Sírio, em São Paulo, clube em que também era treinador.
Por lá, conquistou o Mundial de Clubes de 1979, e no ano seguinte já estava nas Olimpíadas de Moscou, em que o Brasil terminou na 5ª posição. No país, ainda jogou pelo América-RJ, mas logo rumou para a Europa.
A glória em Indianápolis e o patriotismo como bússola
O nome de Oscar Schmidt está intrinsecamente ligado ao dia 23 de agosto de 1987. Naquela data, ele liderou a Seleção Brasileira em uma das maiores conquistas do basquete nacional após a geração de Ouro nas décadas de 50 e 60: a vitória sobre os Estados Unidos na final dos Jogos Pan-Americanos, em pleno solo norte-americano, em Indianápolis, ao lado de nomes como Marcel, Guerrinha, Cadum, Pipoka e Rolando Ferreira.